Título: Namorado de Aluguel;
Autor(a): Kasie West;
Editora: Verus;
Número de Páginas: 250;
Ano de Lançamento: 2016.
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Quando Bradley, o namorado de Gia Montgomery, termina com ela no estacionamento do baile de formatura, ela precisa pensar rápido. Afinal, ela vem falando dele para suas amigas há meses. Esta era para ser a noite em que ela provaria que ele não é uma invenção de sua cabeça. Então, quando vê um garoto esperando pela irmã no estacionamento do baile, Gia o recruta para ajudá-la. A tarefa é simples: passar por namorado dela — apenas duas horas, nenhum compromisso, algumas mentirinhas. Depois disso, ela pode tentar reconquistar o verdadeiro Bradley.
O problema é que, alguns dias depois do baile, não é em Bradley que Gia está pensando, mas no substituto. Aquele cujo nome ela nem sabe. Mas localizá-lo não significa que o relacionamento de mentira deles acabou. Gia deve um favor a esse cara, e a irmã dele tem a solução perfeita: a festa de formatura da ex-namorada dele — apenas três horas, nenhum compromisso, algumas mentirinhas.
E, justamente quando Gia começa a se perguntar se pode transformar seu namorado falso em real, Bradley reaparece, expondo sua farsa e ameaçando destruir suas amizades e seu novo relacionamento.
Inteligente e maravilhosamente romântico, Namorado de aluguel retrata a jornada inesperada de uma garota para encontrar o amor — e possivelmente até a si mesma.

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Minha Opinião:

A vida de Gia Montgomery seguia tranquila. Dentro dos padrões mais aceitáveis possíveis, era uma boa filha e estudante, então presidente do grêmio estudantil e naturalmente popular. A poucas semanas de terminar o high school e ingressar na faculdade, porém, sua vida começa a desandar um pouco a partir do momento em que, antes de apresentar o namorado, Bradley, às amigas em pleno baile de formatura, ele termina com ela, colocando-a em suspenso com as colegas uma vez que elas, até então, não acreditavam muito que o namoro de Gia fosse de verdade. Do outro lado do estacionamento do colégio, Hayden esperava a irmã caçula que estava no mesmo baile, despreocupado e sem grandes compromissos para aquela noite, até ser abordado por Gia e, antes que ele se desse conta realmente, acabar aceitando a proposta da garota de se passar por namorado dela ao menos diante das amigas no baile. O acordo termina com ambos separando-se como Bradley fizera com ela mais cedo, e cada um segue seu caminho após o ocorrido, até ela própria se ver, mais adiante, interpretando o mesmo papel ao lado dele em uma festa da ex-namorada do garoto, começando uma inesperada amizade que se mostrará muito mais promissora do que eles imaginava ser capaz no início.

E assim começa o enredo aparentemente clichê de Kasie West que, no entanto, acabou por conquistar e surpreender a diversos leitores de tal forma que, se eu já era curiosa por ler esse livro desde sua versão em Inglês, antes de sair por aqui, então conhecido como The Fill-In Boyfriend, fiquei ainda mais interessada em fazer a leitura após ver tantos elogios sobre o livro. Esperava gostar do enredo da mesma forma que muitos estavam fazendo e, felizmente, eu não apenas gostei da história e personagens como um todo como, ainda, fui totalmente envolvida por eles ao ponto do livro tornar-se um dos meus favoritos do ano de 2017.

Namorado de Aluguel já se inicia de forma leve e descontraída por entre a chegada de Gia ao baile e o seguinte término de Bradley para com ela. Namorando o rapaz há tão poucos meses, mesmo após o término, ela permanece mais preocupada com sua reputação diante das amigas, que mesmo ao ver uma ou outra foto do casal em rede social, não estavam convencidas da veracidade dessa relação. Apesar disso e da postura de garota popular, Gia é uma personagem agradável e com quem rapidamente simpatizei. Apesar do status importante no colégio, ela mantém muito contato com os demais estudantes, uma vez que também é a presidente do grêmio estudantil, e foge um pouco do estereótipo de patricinha 'não me toque' de alguns cenários de populares.

“— Levanta a cabeça. Tem outros peixes no mar. O oceano é imenso. Às vezes a gente precisa pescar e devolver alguns antes de achar aquele que vale a pena manter. Continue nadando. Só isso.
— Acho que essa última metáfora não se aplica aqui.
— Era uma sequência aquática; só acrescentei mais uma.”

Hayden, por outro lado, é um jovem aspirante à ator. Estuda em outro colégio, mas uma vez que sua irmã caçula, Bec, estuda no de Gia, ele acaba tendo algumas chances de encontrar a garota por intermédio da irmã. Ele é um rapaz meigo e divertido, acostumado com uma convivência mais aberta e agitada em relação aos pais e a irmã, relação esta que acaba batendo de frente, ainda que não propositalmente, com a vida que até então Gia estava acostumada a levar, com pais que mantém uma relação básica e morna para com os filhos, mais preocupados em atingir bons resultados e por vezes chegando a acobertar ou ignorar situações e temas que lhes incomodem, assim como a distância que ela tem com o próprio irmão, Drew, que está na faculdade e quase nunca fala com ela. A forma como os mundos de ambos colidem logo de cara e, principalmente, afetam a protagonista por apresentar uma realidade familiar tão diferente da dela acaba colocando em cheque muito mais do que parece à princípio, e é partir dessa amizade inusitada, que apesar de ter começado de uma forma bem improvável no baile, acaba se mostrando um visível porto seguro para a personagem, que irá se ver confrontando a si mesma sobre a vida que levava até então.

Desde a preocupação constante em relação ao seu status, principalmente nas redes sociais, até a relação aparentemente tranquila mas nada íntima com os pais e nem muito menos com o irmão, passando inclusive pelos momentos em que precisou arriscar-se na mentira, como no caso do próprio namoro, para não 'decepcionar' as supostas amigas, Gia começa a dar-se conta de que não levava uma vida tão perfeita como achava anteriormente. Mesmo suas amigas, com quem estava tão acostumada a compartilhar tudo e viver as mais diversas experiências possíveis, acabam se mostrando não tão verdadeiras à medida que Gia começa a querer fugir um pouco dos padrões a que vivia tão presa. De forma despretensiosa mas ainda firme, Kasie West leva o leitor a, através da vida de Gia, questionar a si próprio se estava focando no que realmente importava ou vivendo em prol de um status qualquer que, no fim das contas, não mostra o seu eu verdadeiro, confrontando a protagonista diante de um cenário que de perfeito, como até então ela acreditava ser, não tinha nada.

“— Você é uma das garotas mais populares do colégio. Daqui a dez anos, quando as pessoas pensarem no ensino médio, vão lembrar do seu nome. Vão saber quem você era.
Como as pessoas saberiam quem eu era, se nem eu mesma sabia?
Ela inclinou a cabeça na direção da Bec.
— Ela não vai nem passar pela cabeça de ninguém.
— Ser lembrada, então? É isso que importa na vida?
— Melhor que ser esquecida.
— Mas eu acho que prefiro ser lembrada por alguma coisa.”

Isso porque, ao longo da leitura, não demora até percebermos que o trio de amigas da protagonista não é tão verdadeiro como ela acreditava que fossem, são elas Claire, Laney e Jules. A primeira, até então, era tida como sua melhor amiga e com quem já planejava dividir o quarto na faculdade, e talvez nesse ponto eu ainda tenha relevado minimamente por perceber, ainda, que a própria Claire era mais manipulável do que parecia e deixou-se levar, por sua vez, por Laney e, principalmente, Jules, então inicialmente uma penetra no grupo, cuja vida com a mãe é difícil e parece ter uma certa marcação com relação a Gia, sempre tentando confrontá-la e colocando Claire e Laney contra ela mesmo quando a culpa nem era realmente dela. E ao passo que Gia tentava reconquistar as amigas mas temia a presença de Jules, eu me irritava com ela por mendigar tanto por uma amizade que claramente não funcionava mais, cujas envolvidas, inclusive, nesse caso Claire e Laney, não pareciam fazer qualquer esforço de ouvi-la de verdade e deixavam-se influenciar tão facilmente por tudo que Jules dizia e fazia. No fim das contas, mais parecia uma amizade que, apesar de ter começado de forma sincera quando Claire e Gia eram crianças, havia caído numa completa conveniência e só não era maior do que a fachada anteriormente já citada que era a família da protagonista.

Assim, é com empolgação que o leitor acompanha Gia e Hayden desenvolvendo uma amizade muito bonita e envolvente, que me fez torcer muito por eles não apenas pelo quesito amoroso em si, mas principalmente pela forma leve com que ele a envolve e, diferentemente de quando ela estava com as amigas, deixando-a confortável para ser quem ela é de verdade, sem importar as aparências ou os seguidores em uma rede social. Ambos combinam de uma forma tão natural e singela, bem como encantadora também, que é impossível não se deixar envolver por eles. Um casal que me ganhou com pouco, apenas pela sinceridade e simplicidade com que conduziam sua relação, tanto quando ela era apenas o início de uma amizade até o ponto em que evoluiu para o amor. E não podemos esquecer do adicional de Bec, irmã do garoto que, apesar da personalidade um pouco irritadiça e sem papas na língua, também acabou tornando-se uma boa amiga para Gia, ao contrário do trio popular de outrora.

Enfim, é de uma forma sutil, mas certeira que Namorado de Aluguel acaba indo um pouco além de um simples romance adolescente e, antes de focar propriamente no romance do casal principal, fala sobre temas como família e amizade em um cenário comum e clichê com os quais o leitor pode facilmente se envolver e se identificar. Um jovem adulto leve e doce com personagens principais carismáticos mas sem qualquer traço de perfeição, apenas adolescentes comuns, ora impulsivos, ora ansiosos, ora apaixonados, ora sonhadores, vivendo um dia de cada vez e dispostos a reconhecer os próprios erros e aprender com eles, por entre uma narrativa fluida que torna a leitura perfeita para ser lida em uma única tarde de tão envolvente. Leitura muitíssimo recomendada! 

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